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MPSP identifica que crime organizado no Estado está criando bancos próprios para lavar dinheiro

Em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (25/2), o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, defendeu uma maior regulação das fintechs que funcionam como instituições de pagamentos.

Duas delas, utilizadas para lavar dinheiro oriundo das atividades ilícitas praticadas por pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e comprar imóveis, foram alvos da Operação Hydra, deflagrada nesta manhã pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e pela Polícia Federal. Um policial civil que se apresentava como CEO de uma das fintechs foi preso preventivamente por ordem da Justiça estadual. “O Estado precisa se organizar”, disse o PGJ.

“Melhor do que laranjas é ter o seu próprio banco”, disse o promotor Lincoln Gakiya, enfatizando a sotisticação do esquema montado para o branqueamento de capitais do crime organizado.

Gakiya foi objeto da reportagem recente publicada pelo Washington Post. O jornal americano acompanhou o membro do MPSP por quatro meses para publicar o texto “The prosecutor marked to die by South America’s most dangerous gang” (O promotor marcado para morrer pela mais perigosa organização criminosa da América do Sul).

Na entrevista, da qual também participaram os promotores Fábio Bechara, Juliano Atoji e Paulo Carolis (secretrário-executivo do GAECO), as autoridades explicaram que a Operação Hydra começou a ser desenhada no ano passado, quando o réu colaborador Antônio Vinicius Gritzbach trouxe ao conhecimento do Ministério Público uma série de informações sobre esquemas ligados ao PCC, incluindo a proteção conferida à organização criminosa por policiais civis. Os agentes públicos já foram denunciados pelo MPSP.

Em novembro do ano passado, Gritzbach foi assassinado no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele respondia como réu pela morte de Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, no Tatuapé, no fim de 2021.

Por meio de uma das fintechs, apenas Cara Preta fez transitar a quantia de cerca de R$ 11 milhões. O GAECO suspeita que as duas instituições de pagamentos eram controladas, secretamente, por criminosaos do PCC.

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