Mulher que viveu 18 anos isolada em Cristais Paulista não recebia visitas nem de familiares dentro de casa
Uma mulher de 33 anos, que passou 18 anos em isolamento social em Cristais Paulista, na região de Franca, mantinha contato com familiares apenas pelo portão da residência onde vivia com a mãe, de 71 anos. O caso veio à tona nesta semana, após uma denúncia encaminhada ao Disque 100.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Bruno Felipe de Carvalho, as duas evitavam a aproximação de outras pessoas, inclusive parentes. Familiares relataram que não conseguiam entrar na residência e que o comportamento de reclusão se intensificou ao longo dos anos.
A mulher contou às equipes de atendimento que deixou de frequentar a escola aos 15 anos, após sofrer bullying devido a uma deformidade no tórax e nas costas. Desde então, passou a viver afastada do convívio social.
Na segunda-feira (26), policiais civis e militares, acompanhados por profissionais da Vigilância Sanitária, estiveram no imóvel. A mulher foi encontrada em um quarto escuro, com forte odor, e demonstrou medo diante da presença de pessoas desconhecidas.
A chefe da Divisão de Saúde da Vigilância Sanitária, Renata Valéria de Souza Pinto, precisou estabelecer uma relação de confiança para conseguir realizar a abordagem e encaminhá-la para avaliação médica.
Durante o primeiro atendimento, profissionais de saúde identificaram sinais de desnutrição e anemia. A Secretaria Municipal de Saúde informou que não encontrou registros de consultas médicas ou vacinação da mulher, inclusive durante a pandemia de Covid-19.
A residência apresentava condições precárias de higiene e grande quantidade de materiais acumulados. Por esse motivo, o imóvel foi interditado pela Vigilância Sanitária para limpeza. Mãe e filha foram acolhidas temporariamente na casa de familiares.
O secretário revelou ainda que o endereço já havia recebido uma intervenção sanitária em 2017, após denúncias relacionadas ao acúmulo de materiais e ao risco de proliferação do mosquito da dengue. Na ocasião, a limpeza ficou restrita à área externa.
A denúncia que motivou a ocorrência apontava suspeitas de maus-tratos. Entretanto, a mulher negou ter sofrido violência por parte da mãe, e a avaliação inicial não identificou indícios que confirmassem a suspeita.
A rede municipal de saúde deverá acompanhar a situação, com avaliações médicas e possibilidade de atendimento psicológico, nutricional e assistência social.
O caso chama a atenção para as consequências do isolamento social prolongado e para a importância de identificar situações de vulnerabilidade e garantir acesso à saúde e à proteção social.
Foto: Divulgação/Polícia Civil




