Advogado Tiago Carrera relata prejuízo familiar e aponta irregularidades no caso Cocapil
O advogado Tiago Carrera, do escritório Lonardi Carrera e Garcia Advogados, está entre os produtores rurais lesados no caso envolvendo a Cocapil. Além de atuar juridicamente na representação de parte dos produtores prejudicados, ele e seus familiares sofreram prejuízos com o café que estava armazenado no armazém da entidade.
A reportagem esteve com o advogado nesta terça-feira, 14 de janeiro, para obter mais informações sobre o caso, que ganhou repercussão nacional após a constatação de um rombo milionário envolvendo produtores de café de diferentes localidades.
Segundo Tiago Carrera, há produtores que acumulam prejuízos que variam de dezenas até milhares de sacas de café, envolvendo diferentes safras. De acordo com informações já apuradas pelas autoridades, o prejuízo total pode chegar a cerca de R$ 100 milhões, considerando aproximadamente 22 mil sacas de café que estariam sob custódia do armazém.
O advogado explica que os produtores deixavam o café no local baseados exclusivamente na confiança, acreditando tratar-se de uma cooperativa regular. No entanto, conforme indicam os levantamentos preliminares, não há clareza sobre a existência de um sistema cooperativista formal. Muitos produtores contestam essa condição e sustentam que, na prática, não existiriam cooperados, mas apenas produtores parceiros.
Sobre o número de pessoas cooperadas, Tiago esclarece que não há consenso. Advogados ligados à cooperativa afirmaram que haveria 621 cooperados, informação que é contestada pelos produtores, que acreditam que esse número é significativamente menor . Essa divergência reforça a suspeita de que a entidade possa ter operado como uma cooperativa de fachada, hipótese que segue sob apuração.
Ainda segundo o advogado, nunca houve reuniões regulares, assembleias periódicas ou apresentação de dados financeiros, tampouco qualquer tipo de prestação de contas aos produtores que mantinham café armazenado no armazém.
De acordo com Tiago Carrera, já em agosto havia indícios de que a situação financeira da Cocapil não era saudável. Em dezembro, ao solicitar a comercialização do café pertencente à sua família, foi informado de que o produto não estava mais disponível no armazém. A partir desse momento, segundo relata, Elvis, então presidente da Cocapil, deixou de atender os produtores.
As investigações indicam que a entidade teria acumulado aproximadamente R$ 50 milhões em dívidas com produtores, além de outros cerca de R$ 50 milhões em financiamentos e compromissos financeiros realizados em nome do armazém. Antes de o rombo vir a público, o então presidente também teria emitido cheques, fato que segue sendo analisado pelas autoridades.
Em uma assembleia realizada após o caso se tornar público, foi apresentado um prejuízo estimado em cerca de R$ 100 milhões, valor que engloba perdas de café, dívidas e financiamentos. Além do ex-presidente Elvis, que está foragido, José Ivano e Guilherme são citados como diretores ligados à gestão da Cocapil no período investigado. A polícia segue apurando as responsabilidades e a destinação do café que estava sob custódia do armazém.
Diante da situação, Tiago Carrera orienta os produtores que se consideram prejudicados a registrarem boletim de ocorrência, formalizando a denúncia para que os fatos sejam devidamente apurados e para que possam buscar seus direitos nas esferas criminal e cível.
Por fim, está prevista a realização de uma assembleia no dia 24 de janeiro, às 8h, na sede da Cocapil, em Ibiraci, para tratar dos próximos encaminhamentos relacionados ao caso.





