Rombo milionário leva à prisão empresário de Franca por desaparecimento de café
A Justiça de Minas Gerais decretou a prisão preventiva do empresário de Franca Elvis Vilhena Faleiros, presidente da Cocapil, Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci, investigada pelo desaparecimento de café depositado por cooperados. O prejuízo estimado pode chegar a R$ 50 milhões, segundo apuração da Polícia Civil.
De acordo com o processo, Faleiros é acusado de permitir operações que resultaram em desequilíbrio financeiro da cooperativa e de utilizar café de estoque, inclusive de produtores, para honrar compromissos da Cocapil. As investigações apontam suspeitas de fraude e gestão temerária. A cooperativa possui cerca de 621 cooperados ativos.
Além do presidente, os diretores Guilherme Andrade Clausing e José Ivano Bruziquesi Neto também são alvos da ação e tiveram bens bloqueados por determinação judicial. Os autos indicam que cooperados passaram a relatar prejuízos ao tentar reaver as sacas depositadas, encontrando os armazéns esvaziados.
Em um dos casos citados no processo, uma produtora afirma ter perdido 342 sacas avaliadas em aproximadamente R$ 803 mil. Outro cooperado relata o desaparecimento de 35 sacas, avaliadas em cerca de R$ 80 mil. Esses valores representam apenas parte dos prejuízos apurados até o momento.
As investigações indicam que o problema começou a se agravar entre 2018 e 2021, período em que a cooperativa realizou operações de trava de café com entregas futuras. Com a alta expressiva no preço da saca nos anos seguintes, os cooperados passaram a questionar o destino do produto e o volume das dívidas.
A defesa de Elvis Faleiros afirma que o passivo da Cocapil não ultrapassa R$ 100 milhões e atribui a crise à disparada do preço do café, agravada por fatores como pandemia, geadas e seca. Segundo o advogado, a cooperativa teria vendido café ao longo dos últimos anos para cumprir compromissos assumidos, o que gerou prejuízos diante da necessidade de recomprar o produto a valores muito superiores.
A defesa considera a prisão preventiva desnecessária e informa que o empresário entregou o passaporte, impetrou habeas corpus no Tribunal de Justiça de Minas Gerais e aguarda decisão. O caso segue sob investigação nas esferas policial e judicial.
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