Polilaminina: o que é a substância pesquisada há mais de 20 anos na UFRJ e que levou paciente a voltar a andar
A polilaminina é uma matriz proteica desenvolvida a partir da laminina, proteína naturalmente presente na matriz extracelular do corpo humano e fundamental para a organização, adesão e sobrevivência das células, especialmente no sistema nervoso. A substância é estudada há mais de duas décadas pela pesquisadora Tatiana Sampaio no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A linha de pesquisa começou ainda nos anos 1990, com investigações sobre o papel da laminina na regeneração neuronal. Ao longo dos anos, a equipe conseguiu desenvolver uma forma polimerizada da proteína, chamada polilaminina, com o objetivo de criar um ambiente biológico favorável à regeneração de fibras nervosas lesionadas.
A proposta científica é que a polilaminina funcione como uma espécie de suporte estrutural no local da lesão medular, estimulando o crescimento de axônios e favorecendo a reconexão de circuitos neurais interrompidos após traumas graves.
O tema ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pelo Fantástico mostrar o caso de um paciente que havia ficado paraplégico após lesão na medula espinhal e que, após receber o tratamento experimental, recuperou progressivamente os movimentos até voltar a andar sem auxílio.
A pesquisa é conduzida na Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com o laboratório Cristália. Em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início do estudo clínico de fase 1 em humanos. Essa etapa tem como objetivo principal avaliar a segurança da aplicação da substância em pacientes com lesão medular aguda, dentro de critérios clínicos específicos.
É importante destacar que o caso apresentado na televisão é um relato individual associado ao uso experimental da substância. Do ponto de vista científico, a comprovação da eficácia depende da conclusão de estudos clínicos controlados, com número maior de participantes e metodologia comparativa.
Lesões na medula espinhal estão entre as condições mais complexas da neurologia e frequentemente resultam em perda permanente de movimentos e sensibilidade. Atualmente, os tratamentos disponíveis concentram-se em estabilização clínica e reabilitação, sem terapias regenerativas amplamente comprovadas.
A polilaminina representa um dos projetos mais longevos da ciência brasileira na área de medicina regenerativa. São mais de 20 anos de pesquisa acadêmica contínua dentro de universidade pública, agora entrando na fase regulatória formal para avaliação clínica.
O avanço reacende esperança, mas a validação científica dependerá dos resultados das próximas etapas do estudo, conduzidas sob rigor técnico e acompanhamento regulatório.





