A Prefeitura de Franca regulamentou o pagamento de recompensa para moradores que denunciarem o descarte irregular de lixo e entulho na cidade. A medida prevê o repasse de 20% do valor da multa ao denunciante, desde que a infração seja comprovada e a penalidade paga.
A proposta busca ampliar a fiscalização ambiental por meio da participação popular. No entanto, a iniciativa levanta um ponto sensível: enquanto endurece a cobrança sobre a população, não há, até o momento, medidas claras anunciadas para responsabilizar a empresa contratada responsável pela coleta de lixo, alvo de diversas reclamações recentes.
Moradores de diferentes regiões têm relatado atrasos na coleta, acúmulo de resíduos nas vias públicas e falhas recorrentes na prestação do serviço. Em alguns casos, o lixo permanece por dias nas calçadas, contribuindo para mau cheiro, proliferação de insetos e aumento do descarte irregular.
Nesse contexto, cresce a percepção de desequilíbrio na fiscalização. A nova política pune quem descarta lixo de forma irregular, mas não apresenta, de forma transparente, ações efetivas de fiscalização e eventual penalização da empresa responsável pela limpeza urbana.
Especialistas apontam que políticas públicas dessa natureza exigem coerência na aplicação das regras. A responsabilização precisa atingir todos os elos da cadeia, inclusive as empresas contratadas, sob risco de transferir à população um problema que também está ligado à eficiência do serviço prestado.
A Prefeitura não detalhou, até o momento, se há processos de apuração, aplicação de multas contratuais ou revisão dos serviços diante das falhas relatadas.
A medida, que poderia representar um avanço no combate ao descarte irregular, agora enfrenta o desafio de não ser percebida como uma ação unilateral, que pune o cidadão sem garantir, na mesma proporção, a qualidade do serviço público oferecido.





