Dólar chega a R$ 5,60 e Bolsa despenca após reeleição de Lula
Ibovespa registra queda superior a 16% nesta segunda-feira (26), e B3 interrompe negociações pela primeira vez desde 2020.
O mercado financeiro brasileiro registra forte instabilidade nesta segunda-feira (26), primeiro dia de negociações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dólar chegou a R$ 5,60 durante a manhã, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, acumulou perdas superiores a 16%.
Por volta das 10h50, a moeda americana era negociada a R$ 5,5063, com alta de 10,28%. Na máxima do dia até aquele momento, havia alcançado R$ 5,6048. Já o Ibovespa recuava 16,59%, aos 171.061 pontos, depois de atingir a mínima de 169.516 pontos.
A intensidade da queda levou a B3, responsável pela Bolsa de Valores brasileira, a acionar o mecanismo conhecido como circuit breaker às 9h57, suspendendo temporariamente as negociações por 30 minutos.
Foi a primeira vez que o dispositivo de segurança precisou ser utilizado desde março de 2020, quando os mercados enfrentaram fortes turbulências provocadas pelo início da pandemia de Covid-19.
Por que a Bolsa interrompeu as negociações?
O circuit breaker é um mecanismo de proteção acionado quando o Ibovespa registra quedas acentuadas. A primeira interrupção ocorre quando o índice atinge desvalorização de 10% em relação ao fechamento anterior.
A paralisação permite que os investidores reavaliem suas decisões e busca reduzir movimentos desordenados de compra e venda.
Pelas regras da B3, caso a queda alcance 15% após a retomada das operações, pode ocorrer uma segunda interrupção, desta vez por uma hora. Se a desvalorização chegar a 20%, a Bolsa poderá determinar uma nova suspensão por prazo definido pela instituição.
Em comunicado oficial, a B3 confirmou que as negociações seriam retomadas inicialmente por meio de leilão entre 10h30 e 10h35.
Resultado eleitoral surpreendeu parte dos investidores
A instabilidade ocorre após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (25).
Parte do mercado financeiro trabalhava com a expectativa de vitória do candidato do PL, diante dos resultados de pesquisas eleitorais divulgadas na reta final da campanha.
Com a reeleição de Lula, investidores passaram a reavaliar suas projeções sobre a política fiscal, a trajetória da dívida pública, os juros e o desempenho da economia brasileira nos próximos anos.
Os juros futuros também registraram forte alta nesta segunda-feira, refletindo mudanças nas expectativas do mercado.
Embora o resultado eleitoral seja um dos principais fatores acompanhados pelos investidores, as oscilações financeiras também dependem de condições econômicas internas e internacionais.
Alta do dólar pode afetar o consumidor
Na sexta-feira (23), último pregão antes das eleições, o dólar havia encerrado cotado a R$ 4,9930. O Ibovespa terminou o dia aos 205.083 pontos, com valorização de 0,47%.
A alta expressiva da moeda americana nesta segunda-feira pode pressionar os preços de produtos importados, eletrônicos, combustíveis e insumos utilizados pela indústria, caso a valorização se mantenha.
Viagens internacionais e compras realizadas em dólar também podem ficar mais caras para os brasileiros.
Entretanto, uma oscilação registrada em um único dia não significa necessariamente aumento imediato dos preços ao consumidor. Os impactos dependem da duração da alta cambial e de outros fatores econômicos.
O mercado acompanha agora os próximos pronunciamentos do governo, as perspectivas para a política econômica e as decisões dos bancos centrais, tanto no Brasil quanto no exterior.
Os índices e as cotações poderão apresentar novas mudanças ao longo do pregão desta segunda-feira.
Denir Alves | F3 Notícias
Fontes: g1, B3, Reuters, InfoMoney e Exame.





