Moeda americana registra alta de 8,71% na manhã desta segunda-feira (26), enquanto a vitória do presidente brasileiro repercute internacionalmente.
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou forte reação no mercado financeiro nesta segunda-feira (26). Por volta das 9h10, o dólar comercial registrava alta de 8,71%, cotado a R$ 5,424, após a vitória do petista sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. No cenário internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não havia se manifestado publicamente sobre o resultado até o início da manhã.
Na sexta-feira (23), último pregão antes da eleição, o dólar havia encerrado as negociações a R$ 4,9896. A valorização da moeda americana nesta segunda-feira reflete a reação dos investidores ao resultado eleitoral e às expectativas sobre a condução da economia brasileira nos próximos quatro anos.
O movimento começou ainda na noite de domingo (25), quando contratos negociados no mercado internacional apontaram forte desvalorização do real. Na abertura do mercado brasileiro, a pressão também atingiu os juros futuros, que apresentaram elevação expressiva.
Entre os principais fatores apontados por analistas estão as preocupações com o equilíbrio das contas públicas, o controle da dívida e os rumos da política fiscal. Parte dos investidores trabalhava com a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro, associada à possibilidade de mudanças na condução econômica.
A reação do mercado, entretanto, não determina o comportamento da economia no longo prazo. A evolução do câmbio dependerá de fatores internos e externos, incluindo decisões do governo, política monetária e cenário internacional.
Para os consumidores brasileiros, a valorização persistente do dólar pode representar aumento de custos em produtos importados, eletrônicos, viagens internacionais e mercadorias que dependem de componentes adquiridos no exterior. Os efeitos sobre os preços dependerão da duração e da intensidade da alta.
Trump ainda não havia se pronunciado
Enquanto a vitória de Lula recebia manifestações de líderes internacionais, Donald Trump permanecia sem pronunciamento público sobre o resultado até o início da manhã desta segunda-feira.
Segundo informações divulgadas pela Rádio França Internacional (RFI), o presidente norte-americano retornou à Casa Branca na noite de domingo sem conversar com jornalistas.
Antes do segundo turno, Trump havia afirmado que acompanhava atentamente a eleição brasileira, mas evitou declarar apoio público a um dos candidatos quando questionado sobre a disputa.
A ausência de manifestação ocorre em meio à repercussão internacional da reeleição de Lula e às expectativas sobre os próximos passos das relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
O silêncio do presidente norte-americano, porém, não representa, por si só, uma contestação oficial do resultado das urnas.
Donald Trump Jr., filho do presidente dos Estados Unidos, criticou nas redes sociais a decisão judicial que prorrogou o horário de votação no Brasil. A manifestação, entretanto, não constitui posicionamento oficial da Casa Branca.
Vitória de Lula repercute internacionalmente
Líderes de diferentes países começaram a parabenizar Lula ainda na noite de domingo e nas primeiras horas desta segunda-feira.
Entre eles estão o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro canadense Mark Carney. O governo da China também felicitou o presidente brasileiro pela reeleição e manifestou interesse na continuidade da cooperação entre os dois países.
A repercussão internacional ocorre em um momento de atenção às relações comerciais, à política externa brasileira e às possíveis mudanças no cenário econômico após a eleição.
Lula conquista quarto mandato
De acordo com os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%.
A diferença foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos.
Com o resultado, Lula conquistou seu quarto mandato presidencial, após governar o país entre 2003 e 2010 e retornar ao Palácio do Planalto em 2023.
Nos próximos dias, o mercado financeiro deverá acompanhar as sinalizações do governo sobre política fiscal, contas públicas e prioridades econômicas para o novo mandato.
A cotação do dólar poderá apresentar novas oscilações ao longo das negociações, conforme investidores reajustem suas expectativas diante do cenário político brasileiro.
Denir Alves | F3 Notícias
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Folha de S.Paulo, CNN Brasil, Rádio França Internacional (RFI), Poder360 e Agência France-Presse (AFP).





