TRÊS IRMÃS BUSCAM RECONHECIMENTO DE PATERNIDADE EM DISPUTA POR HERANÇA MILIONÁRIA EM IBIRACI
Uma disputa judicial envolvendo uma fazenda produtora de café, avaliada em mais de R$ 30 milhões, reúne diferentes famílias e pode definir o destino de uma propriedade de 22 alqueires localizada em Ibiraci, no Sudoeste de Minas Gerais.
No centro da história estão Rosimeire Aparecida Baldo Silva, Rosiene Aparecida Baldo Silva e Renata Aparecida Baldo Silva. As três irmãs buscam comprovar na Justiça que o pai delas, Eurípedes Donizete da Silva, era filho do cafeicultor Reinaldo Borges de Freitas, conhecido como “Bezerrão”.
Eurípedes nasceu em 2 de janeiro de 1956 e foi criado pela mãe, Ana Maria, em Franca. O nome do pai nunca constou em seus documentos, mas, segundo as filhas, ele sempre afirmou que Reinaldo era seu pai.
Em entrevista à Record, Rosimeire, a filha mais velha, relatou que, durante a infância, visitava Ibiraci com a família e presenciava encontros entre Eurípedes e Reinaldo. Apesar da convivência, o cafeicultor nunca reconheceu oficialmente a paternidade.
Eurípedes morreu em 2019, aos 63 anos, vítima de um infarto. Reinaldo faleceu no ano seguinte, sem deixar mulher ou filhos oficialmente registrados, mas era proprietário da fazenda de café que agora está no centro da disputa.
Após a morte de Reinaldo, o irmão mais novo dele, Sebastião Borges de Freitas, assumiu inicialmente a administração da propriedade. Posteriormente, as três filhas de Eurípedes conseguiram na Justiça o direito de administrar a fazenda.
Um dos principais elementos apresentados pelas irmãs é um exame indireto de DNA realizado em 2023 por um laboratório da Universidade de São Paulo, a USP, em Ribeirão Preto. O teste utilizou amostras das três filhas de Eurípedes, da mãe delas e de Sebastião, irmão de Reinaldo.
Segundo a reportagem, o resultado apontou probabilidade de parentesco de 98,94% entre os participantes. Sebastião também admitiu à Record a possibilidade de Eurípedes ser filho de Reinaldo.
As irmãs permaneceram na administração da fazenda durante aproximadamente dois anos, até que uma nova decisão alterou novamente o controle da propriedade. Terezinha Monteiro, que afirma ter mantido uma união estável com Reinaldo durante cerca de 40 anos, recorreu à Justiça e assumiu a administração das terras.
Entre os elementos considerados no processo está uma investigação de paternidade iniciada em 1997. Na ocasião, um exame de DNA realizado por um laboratório particular de Franca não confirmou Reinaldo como pai de Eurípedes.
A Justiça teria determinado a realização de um novo teste em um laboratório credenciado. Antes que o procedimento fosse concluído, entretanto, Eurípedes e Reinaldo firmaram um acordo que encerrou aquele processo sem o reconhecimento da paternidade.
A defesa das três irmãs contesta os efeitos desse acordo. A advogada responsável pelo caso argumenta que o reconhecimento do estado de filiação é um direito personalíssimo e irrenunciável. Sustenta ainda que Rosimeire, Rosiene e Renata não participaram do processo anterior e, por isso, não poderiam ser impedidas de buscar o reconhecimento da própria ancestralidade.
Outro elemento apresentado pela família é a cópia de uma carta que teria sido escrita por Eurípedes e enviada a Reinaldo em setembro de 1993. No documento, Eurípedes o chama de pai, pede que seja reconhecido oficialmente e cobra o cumprimento de uma suposta promessa de auxílio para oferecer uma casa às filhas.
Segundo a reportagem, a carta original teria sido encontrada por Sebastião em um cofre de Reinaldo, após a morte do fazendeiro. Pessoas que trabalharam ou conviveram com Reinaldo também afirmaram à Record que ele comentava ter um filho, embora nunca tivesse formalizado o reconhecimento.
A reportagem tentou ouvir Terezinha Monteiro, mas a advogada dela informou que não falaria sobre o processo.
Rosimeire, Rosiene e Renata afirmam que a disputa não se resume ao patrimônio. Para elas, o principal objetivo é descobrir a verdade e conseguir o reconhecimento familiar que o pai buscou durante toda a vida.
O processo continua na Justiça e ainda não há uma decisão definitiva sobre a paternidade nem sobre quem terá direito à propriedade.
Fontes pesquisadas: reportagem do Domingo Espetacular/Record, reproduzida pelo Balanço Geral; decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais .
Foto/vídeo: Reprodução/Record.





